Reflexões sobre o livro "Pé na estrada" de Jack Keroauc
A liberdade é umas dessas palavras de uso comum, mas que esconde inúmeras discussões a respeito de sua efetiva definição. Afinal, o que realmente é ser livre?
No final da década de 50, os norte-americanos da geração beat procuravam uma liberdade plena. Os artistas desses movimento eram nômades e buscavam uma vida que eliminasse qualquer padrão ou norma social. Posteriormente esse grupo, originaria um movimento em massa, os hippies.
A linguagem do livro segue uma prosa espontânea, com um fluxo de consciência efervescente, que oscila entre pequenos parágrafos e gigantescos. A estrada se transforma em uma busca espiritual por um entendimento mais profundo sobre o mundo que cerca nosso narrador.
Dean é o personagem mais importante da trama e transformou Neal Cassady, fonte de inspiração do personagem, em um herói dos jovens da época, que colocavam a mochila nas costas e botava o pé na estrada.
Sal possui uma verdadeira fascinação pelo estilo e comportamento completamente espontâneo do amigo. Irresponsável, Dean ignora a lei, as convenções sociais e as outras pessoas, em sua busca, pela América do Norte, de novas experiências e seu pai, perdido em uma das esquinas da estrada.
Ao longo do livro, é impossível não se incomodar com as consequências do comportamento desse personagem, sua liberdade se transforma em insensibilidade e causa do sofrimento dos outros. Enquanto isso, Sal parece ignorar a rejeição dos antigos amigos de Dean e o defende por ser um espírito livre.
Observamos que Sal é um jovem que busca a estrada como forma de auto-conhecimento, mas, ao contrário de Moriarty, leva uma vida relativamente pacata fora dela. Na verdade, apenas em momentos de dúvidas ou tédio, ele busca a estrada como um meio de escapar do inevitável aprisionamento ao estudo, trabalho ou casamento. Ao mesmo tempo, que busca achar um lugar a que pertença.
No fim, cabe questionar se a liberdade é realmente algo tão sedutor, quanto Sal e nós mesmos gostaríamos.


